“As primeiras vezes que entrei numa cabine de interpretação foram como estar na bancada do Jornal Nacional, ou no cockpit de um avião: um espaço pequeno, cheio de botões, uma parede de vidro à minha frente, uma equipe formada por duas intérpretes – como uma dupla de piloto e copiloto. Estudei Psicologia na Universidad Ramón Lull, em Barcelona, e Letras/Espanhol, na USP.

Minha formação como intérprete se deu na prática: em 2002, fui chamada para fazer a tradução simultânea de cursos que o Fundo Monetário Internacional ministrava no Brasil.

Nesses longos encontros, que duravam várias semanas, fui aprendendo técnicas de interpretação de conferências, estratégias de solução de problemas na cabine e muita terminologia de economia e finanças. O que mais me encanta no meu trabalho, além do acesso constante ao conhecimento, é a possibilidade de ser várias pessoas além de mim mesma, por intermédio dos discursos dos oradores que traduzo.

Já tive a oportunidade de interpretar o ex-primeiro ministro espanhol José Maria Aznar, o chef catalão Ferran Adrià e o brasileiro Alex Atala, e o filósofo Mario Sérgio Cortella, por exemplo. Cada dia me apresenta um novo desafio a ser superado.”