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	<title>Vox Intérpretes</title>
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	<title>Vox Intérpretes</title>
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		<title>Trazer para o público brasileiro de 2024 um poema escrito em sânscrito na Índia do século 12. É esse o tipo de “mágica” operada pela tradução e pelos tradutores.</title>
		<link>https://voxinterpretes.com.br/trazer-para-o-publico-brasileiro-de-2024-um-poema-escrito-em-sanscrito-na-india-do-seculo-12-e-esse-o-tipo-de-magica-operada-pela-traducao-e-pelos-tradutores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vox Intérpretes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 11:34:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Trazer para o público brasileiro de 2024 um poema escrito em sânscrito na Índia do século 12. É esse o tipo de “mágica” operada pela tradução e pelos tradutores.  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A versão em português do “Canto para Govinda”, de autoria do poeta Jayadeva, recebeu na terça 19 o <a href="https://br.linkedin.com/showcase/pr%C3%AAmio-jabuti/?trk=public_post-text" rel="nofollow noopener" target="_blank"><strong><span style="text-decoration: underline;">Prêmio Jabuti</span></strong></a> na categoria Tradução. O trabalho é obra do professor João Carlos B. Gonçalves [foto], que dedicou seis anos ao texto e mais alguns meses à revisão publicada pela Penguin-<a href="https://br.linkedin.com/company/companhia-das-letras?trk=public_post-text" rel="nofollow noopener" target="_blank"><strong><span style="text-decoration: underline;">Companhia das Letras</span></strong></a>.</p>



<p>A verdade, porém, é que o termo “mágica” não se aplica ao processo tradutório – embora a aparição dos versos num novo idioma possa sugerir algo tirado do fundo de uma cartola, em questão de segundos. O livro é o fecho de uma longa jornada, fruto de décadas de estudo, noites de dedicação incansável, acúmulo de técnicas apuradas, um cabedal de conhecimentos culturais e linguísticos profundos. Em outras palavras: é muita mufa queimada. &nbsp;</p>



<p>A complexidade da tarefa fica evidente no prefácio de Gonçalves: “Foi um trabalho de caso pensado traduzir todo o poema em versos rimados. Os versos das canções ficaram metrificados, enquanto os versos narrativos ficaram livres. Essa escolha deriva da arquitetura original sânscrita, que utiliza modalidades diferentes de versificação nessas duas dimensões do poema. Além da forma superficial, a métrica e a rima, foi minha intenção produzir efeitos sonoros e preservar as figuras de linguagem, dando-lhes o encanto da língua portuguesa, considerada a assimetria inerente ao ato de tradução”.</p>



<p>Olha só o tanto de coisa que esse cara levou em consideração para chegar ao resultado final! Métrica, rima, ritmo, sonoridade, conteúdo, diferenças estruturais entre as línguas (que o tradutor chama de “arquitetura”, e é isso mesmo). Noves fora os aspectos que separam – ou que podem unir – um autor da Índia do século 12 a um leitor no Brasil do século 21.</p>



<p>A princípio, tudo aponta para um quebra-cabeça de impossível solução, daqueles que a gente olha e pensa: “ah, isso aí&#8230; não vai dar”. No entanto, voilà! O livro existe em português, para quem quiser ler, graças a essa costura intrincada e fascinante chamada tradução.</p>



<p>Parabéns a Gonçalves pelo prêmio, e também aos demais indicados. Que ofício bonito, esse.</p>



<p>Texto por: Beatriz Vellozo</p>
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		<title>Sacadas e gafes dos intérpretes de um ex-presidente americano</title>
		<link>https://voxinterpretes.com.br/sacadas-e-gafes-dos-interpretes-de-um-ex-presidente-americano/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vox Intérpretes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Apr 2025 11:29:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[Numa entrevista concedida em 1993 ao programa de David Letterman, Jimmy Carter lembrou o raciocínio ligeiro de um tradutor no Japão e uma mancada linguística na Polônia]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3 class="wp-block-heading has-ast-global-color-1-color has-text-color has-link-color wp-elements-8eebe7e972224388caa92c6ff091e4fe">Numa entrevista concedida em 1993 ao programa de David Letterman, Jimmy Carter lembrou o raciocínio ligeiro de um tradutor no Japão e uma mancada linguística na Polônia</h3>



<p>Começam no minuto 4:20 <a href="https://www.youtube.com/watch?v=y_3ZWT0zNz4&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow"><strong><span style="text-decoration: underline;">deste vídeo</span></strong></a> (infelizmente sem legendas em português) duas histórias divertidas e ilustrativas sobre interpretação, contadas pelo ex-presidente americano Jimmy Carter, que faleceu em 29 de dezembro aos 100 anos.</p>



<p>Os dois episódios têm muito a ensinar sobre o ofício dos intérpretes – e sobre como esse trabalho fica melhor quando conta com a parceria de quem está sendo traduzido.</p>



<p>Algumas observações, que farão mais sentido para quem assistir ao vídeo antes:</p>



<p>·&nbsp;Piadas e trocadilhos são uma das coisas mais difíceis e perigosas de traduzir. Com frequência, é impossível transportar a graça do idioma original para o idioma de chegada, seja por diferenças linguísticas ou culturais intransponíveis. Por isso, sempre que um orador planeja contar uma piada para um público estrangeiro, é recomendável combinar antes com o intérprete. Assim, o profissional tem tempo para bolar uma tradução divertida, e pode também alertar o palestrante caso o humor seja inadequado ou ofensivo para a plateia do outro país.&nbsp;</p>



<p>·&nbsp;Provavelmente foi esse o cenário enfrentado pelo intérprete que verteu a fala de Carter para o japonês. E a solução encontrada pelo colega foi ótima! Uma vez que a piada era impossível de traduzir, ou talvez inconveniente para o público de Osaka, ele simplesmente disse: “o presidente Carter contou uma história engraçada, e vocês precisam rir”. A situação toda ficou realmente cômica, e arrancou gargalhadas da plateia – para deleite do ilustre visitante.&nbsp;</p>



<p>·&nbsp;Sobre o caso na Polônia, o livro “White House Interpreter”, de Harry Obst (intérprete de alemão de vários presidentes americanos) narra os bastidores desse deslize tradutório. A viagem de Carter a Varsóvia ocorreu em 29 de dezembro de 1977, e o Departamento de Estado não encontrou nenhum intérprete de polonês disponível às vésperas do réveillon. Recorreu então a Steven Seymour, que na verdade era tradutor de russo, mas havia passado alguns anos na Polônia e foi escalado para quebrar um galho. Seymour ficou mais de uma hora ao relento na pista do aeroporto de Varsóvia, debaixo de neve no gélido inverno polonês, à espera do Air Force One e do pronunciamento que o presidente faria ali mesmo, após pousar. O intérprete até tentou obter uma cópia do discurso de Carter, mas o pedido – essencial para uma boa tradução – foi negado pelos assessores do presidente. A combinação desastrosa (intérprete sem conhecimentos profundos da língua, ensopado e tiritando de frio, com péssimas condições de trabalho, e sem receber o discurso de antemão) deu no que deu: exausto e despreparado, Seymour traduziu “compromisso com o amor pela liberdade” por “compromisso com o amor livre”, diante de autoridades de um país extremamente católico. Imagine o vexame.&nbsp;</p>



<p>· No mesmo livro, Obst conta que o embaraço vivido na Polônia acabou rendendo frutos para o Departamento de Serviços Linguísticos, em Washington: depois de anos batalhando por uma estrutura melhor, a Casa Branca finalmente entendeu que os tradutores precisavam de reforços (profissionais experientes em mais línguas, e não apenas quebra-galhos), e determinou que todos os discursos a ser interpretados tinham de ser enviados com antecedência para os intérpretes. Os linguistas passaram até a participar da redação dos pronunciamentos, uma vez que conheciam as culturas de diferentes países e podiam identificar frases com potencial de causar embaraços diplomáticos.&nbsp;</p>



<p>· Voltando ao programa de David Letterman, chama atenção a forma como o entrevistador se refere à presença do intérprete na comitiva presidencial: “o senhor fica&nbsp;<em>à mercê</em>&nbsp;[grifo meu] do tradutor”, como se esse profissional fosse um carrasco ou um sequestrador, e a pessoa traduzida fosse um refém. Talvez seja possível inverter o raciocínio e dizer “o senhor&nbsp;<em>tem a sorte</em>&nbsp;de contar com um intérprete”. Ninguém é capaz de falar e entender todas as línguas do mundo, e muito menos tem essa obrigação. O trabalho do intérprete é justamente permitir a comunicação. Ele, mais do que ninguém, será compreensivo e generoso com quem não domina o idioma estrangeiro.&nbsp;</p>



<p>· Finalmente: se você tem vergonha de não falar uma segunda língua, não se culpe. Você não está sozinho. Calcula-se que cerca de 40% da população mundial fala apenas o idioma materno – o equivalente a mais de três bilhões de seres humanos! Isso inclui a maioria dos presidentes americanos que, embora comandem o país mais poderoso do mundo, são quase todos monoglotas. É claro que aprender línguas estrangeiras é uma grande vantagem profissional, uma forma de abrir portas para pessoas e culturas, um jeito de tornar a vida mais rica e interessante. Mas, quando isso não é possível (por qualquer motivo que seja), tradutores e intérpretes profissionais – e, em alguns casos, ferramentas automáticas – existem para superar a barreira do idioma. Mesmo quando a piada é ruim.</p>



<p>Texto por: Beatriz Vellozo</p>



<p></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A atuação da Fernanda Torres provavelmente se destacaria com as piores legendas do mundo, mas fico contente de ter feito parte da empreitada</title>
		<link>https://voxinterpretes.com.br/a-atuacao-da-fernanda-torres-provavelmente-se-destacaria-com-as-piores-legendas-do-mundo-mas-fico-contente-de-ter-feito-parte-da-empreitada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vox Intérpretes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2024 16:45:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[“Legendas me provocam um terror saudável: não tem tempo de manobra e não tem choro nem vela”. Assim a tradutora Flora Thomson-DeVeaux, responsável pela legendagem de “Ainda Estou Aqui” em inglês, descreve esse trabalho tão importante quanto invisível. É dela, também, o mérito pelo sucesso do filme no exterior. Conversei com DeVeaux sobre os desafios específicos desse tipo de tradução e sobre o êxito internacional do filme. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Autora de versões em inglês de Machado de Assis e Mário de Andrade, Flora Thomson-DeVeaux é responsável pelas legendas que acompanham “Ainda Estou Aqui” na carreira internacional do filme. Seu trabalho, sobre o qual ela fala nesta entrevista, mostra que a tradução exerce papel fundamental (embora frequentemente oculto) na indústria cinematográfica.</p>



<p>Este texto poderia ser ilustrado com uma foto de Fernanda Torres. Ela merece todos os aplausos e reconhecimentos (e, cá entre nós, uma imagem dela provavelmente atrairia mais cliques, curtidas, visualizações, etc.)&nbsp;</p>



<p>Nas próximas linhas, porém, quero dar destaque a outra pessoa de grande importância para o sucesso de&nbsp;<em>Ainda Estou Aqui</em>&nbsp;no exterior: Flora Thomson-DeVeaux, tradutora responsável pelas legendas do filme em inglês. Sem esse trabalho esmerado, o público estrangeiro não teria acesso aos poderosos diálogos de&nbsp;<em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gDunV808Yf4&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">I’m Still Here</a></em>.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://media.licdn.com/dms/image/v2/D4D12AQFCewXSS8qS4g/article-inline_image-shrink_1500_2232/article-inline_image-shrink_1500_2232/0/1736448670127?e=2147483647&amp;v=beta&amp;t=joLxapFsfSGuYVXy0c-tVErC_De3YXFEN2pIVNNxJ_A" alt=""/></figure>



<p>Você já conhece DeVeaux. É dela a mais recente versão em inglês de&nbsp;<em>Memórias Póstumas de Brás Cubas</em>, que viralizou quando a influenciadora americana Courtney Henning Novak fez um&nbsp;<a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fwww%2Einstagram%2Ecom%2Fp%2FC7RsH-dpqYM%2F&amp;urlhash=-OqM&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">vídeo</a>&nbsp;falando maravilhas sobre a obra de Machado de Assis – e, por tabela, sobre a tradução. A história desse improvável hit literário, que entrou para a lista de mais vendidos da Amazon nos Estados Unidos (num país que lê pouquíssima literatura traduzida), está contada num&nbsp;<a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fopen%2Espotify%2Ecom%2Fepisode%2F0yHdPgA0XJHNpXys4s88Og%3Fsi%3DOJDxl9ApQGGQq093CXS2Uw&amp;urlhash=kTKw&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">ótimo episódio</a>&nbsp;do podcast &#8221;&nbsp;<a href="https://br.linkedin.com/company/radionovelo?trk=article-ssr-frontend-pulse_little-mention" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Rádio Novelo</a>&nbsp;Apresenta&#8221;.&nbsp;</p>



<p>DeVeaux nasceu em Charlottesville, no estado da Virgínia. É PhD, tanto no sentido literal quanto figurado, em português e estudos brasileiros, pela Brown University. Vive há anos no Rio, é naturalizada (e casada com uma) brasileira e torce para o Botafogo. 2024 deve mesmo ter sido um ano de grandes alegrias para ela.&nbsp;</p>



<p>Assistir à versão legendada de&nbsp;<em>Ainda Estou Aqui</em>&nbsp;é perceber que esse trabalho exige sutileza, atenção minuciosa ao detalhe, conhecimentos profundos de ambas as línguas e culturas, um grande poder de síntese, ouvido afiado para bolar soluções que soem naturais na boca dos personagens – e muita humildade. As pequenas sacadas tradutórias de DeVeaux fazem imensa diferença para transmitir o conteúdo, e sobretudo o clima e o panorama histórico, do filme.</p>



<p>Um exemplo: na cena em que Rubens Paiva (Selton Mello) é levado preso, ele diz: “Eu já volto,&nbsp;<em>filha</em>.” Nas legendas: “I´ll be back soon, s<em>weetie</em>”, [grifos meus]. A escolha da palavra “sweetie” é intencional, pensada, e transmite o tom doméstico e carinhoso de um pai tentando acalmar uma criança assustada.</p>



<p>Ou então: “os milicos vão cair matando”. É nessa hora que entram em cena a humildade e a consciência dos limites da tradução – e, mais ainda, da legendagem. Nos poucos caracteres e segundos em que o texto fica na tela, seria impossível explicar a carga crítica embutida no termo “milico”. Nessa fala, é preciso ainda encontrar um equivalente curto e claro para a expressão “cair matando”. DeVeaux acerta na mosca: “The military will hit hard”. De forma enxuta, idiomática e fácil de entender, a legenda dá o recado para espectadores que não compreendem português.</p>



<p>Seria possível pinçar dezenas de trechos que evidenciam a habilidade da tradutora, elevada à mais alta potência nas versões em inglês de&nbsp;<em><a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fwww%2Eamazon%2Ecom%2Ebr%2FPosthumous-Memoirs-Br%25C3%25A1s-Cubas%2Fdp%2F0143135031&amp;urlhash=ezsw&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">Memórias Póstumas</a></em>&nbsp;e de&nbsp;<em><a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fwww%2Eamazon%2Ecom%2Ebr%2FApprentice-Tourist-M%25C3%25A1rio-Andrade%2Fdp%2F0143137352%2Fref%3Dsr_1_1%3F__mk_pt_BR%3D%25C3%2585M%25C3%2585%25C5%25BD%25C3%2595%25C3%2591%26crid%3D2EPRPXG9SPYIW%26dib%3DeyJ2IjoiMSJ9%2EYqoYj2yjqt_71xvxxKj9cPBnrMQXCCzjRsCOPOLMgr_iq7SaB97hcRSUP02HocSdEQ15ORsHPRj2uhrwUoOITqZUUUsJfrqIPO8ETtxYXi5-QwErXb_S6b8QPfDrMlXTlvRf7KDS-D1FoY_Ioz1Z8ir1HkiePJWMESThmZQEuq0PBp3konSfTOtTizzwbbiH9ONmx3H1iuAj_7MosIOQPgPyCpb8N_YMPy9_sIdFDjecxZium-RVvKO7SxBZxDCysWcmbT0EUIWZQgGFU1-zZsaMePTvVA3bQu5wYEkgSmw%2EKX0Sy3888gOgVaEddaxs-tzLbHzPr1tTrI4GAksT9SA%26dib_tag%3Dse%26keywords%3Dthe%2Bapprentice%2Btourist%26qid%3D1736447888%26s%3Dbooks%26sprefix%3Dthe%2Bapprentice%2Btourist%252Cstripbooks%252C203%26sr%3D1-1%26ufe%3Dapp_do%253Aamzn1%2Efos%2E6d798eae-cadf-45de-946a-f477d47705b9&amp;urlhash=rHr1&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">O Turista Aprendiz</a></em>, de Mário de Andrade. (Este último&nbsp;<a href="https://www.linkedin.com/redir/redirect?url=https%3A%2F%2Fquatrocincoum%2Ecom%2Ebr%2Fresenhas%2Fliteratura%2Fliteratura-brasileira%2Fo-turista-acidental%2F&amp;urlhash=sl0X&amp;trk=article-ssr-frontend-pulse_little-text-block" target="_blank" rel="noreferrer noopener nofollow">levou DeVeaux a repetir um pedaço da viagem que o escritor paulistano empreendeu à Amazônia em 1927</a>, o que dá uma ideia do grau de envolvimento da tradutora com texto e autor traduzidos.)</p>



<p>Por mensagens de WhatsApp, DeVeaux falou da experiência de legendar <em>Ainda Estou Aqui</em>, das diferenças entre tradução para cinema e tradução literária e, é claro, celebrou as vitórias do filme e de Fernanda Torres.</p>



<p><strong>Sobre o trabalho com tradução para legendagem:</strong></p>



<p><em>Trabalho com legendagem esporadicamente, mas há mais de uma década. Tudo começou em 2011, quando fui assistir a um filme do [cineasta] Eduardo Coutinho com um amigo americano e tive que ficar pausando para explicar as falas, porque as legendas não davam conta do original. Reclamei com o pessoal da [produtora] Videofilmes, que me desafiou a pegar a legendagem do filme seguinte do Coutinho,&nbsp;</em>As canções<em>. De lá para cá, tenho trabalhado com alguns diretores e traduzido uma dúzia de filmes:&nbsp;</em>Fla x Flu<em>,&nbsp;</em>Últimas conversas<em>,&nbsp;</em>Posfácio: imagens do inconsciente<em>,&nbsp;</em>Orestes<em>,&nbsp;</em>No intenso agora<em>,&nbsp;</em>Deslembro<em>,&nbsp;</em>Narciso em férias<em>,&nbsp;</em>Madalena<em>,&nbsp;</em>Manas, 171<em>, agora&nbsp;</em>Ainda Estou Aqui<em>, e provavelmente mais algum que não me veio à cabeça agora. Também pratico um tipo de tradução ainda mais invisível, mas tão importante quanto para a indústria cinematográfica: todo ano costumo traduzir um ou mais roteiros de filmes para que possam ser lidos por potenciais coprodutores estrangeiros.</em></p>



<p><strong>Sobre as dificuldades e características específicas de traduzir para legendas:</strong></p>



<p><em>Sou prolixa, amo notas de rodapé, e sinto que diálogos são das coisas mais difíceis de se traduzir, então legendas me provocam um terror saudável: não tem tempo de manobra e não tem choro nem vela. Mas faço sempre que posso justamente para me desafiar. Pelo fato de trabalhar de forma bissexta com legendagem, e porque muitas vezes o texto provisório chega antes do corte final, normalmente faço pelo menos duas versões bem diferentes: uma passada inicial em inglês e uma bem mais enxuta, tentando melhorar o timing e o tamanho dos textos.</em></p>



<p><strong>Sobre os desafios de verter os diálogos de “Ainda Estou Aqui” para inglês:</strong></p>



<p><em>Graças a Deus, sofro de um pouco de amnésia tradutória. Do&nbsp;</em>Ainda Estou Aqui<em>, o que eu mais lembro é algo que nem entrou na obra final. Em várias versões do roteiro, fiquei brincando com possíveis traduções dos apelidos engraçados que Rubens dava aos filhos, como &#8220;Cacareco&#8221; e &#8220;Lambancinha&#8221;, mas isso funcionaria melhor numa tradução do livro –&nbsp;acho que no último corte só entrou um “Cacareco”, e acabei achando melhor não entrar no mérito. A legenda não pode causar esse tipo de ruído desnecessário, porque é muita coisa para processar de uma vez só –&nbsp;imagem, som, tom, movimento, texto&#8230;</em></p>



<p><strong>Sobre a sensação gostosa de encontrar uma tradução que encaixa direitinho, quando a gente olha para o resultado e pensa: “poxa, isso aqui ficou bom!”:</strong></p>



<p><em>Minha amnésia tradutória é ainda mais eficaz quando se trata de versões bem-sucedidas: só vem um alívio muito grande.</em></p>



<p><strong>Sobre o sucesso do filme e de Fernanda Torres no exterior:</strong></p>



<p><em>Esta é a primeira vez que um filme que eu legendei –&nbsp;e aqui cabe dizer que, pela pressa e pelas circunstâncias a legendagem do corte final foi feita a quatro mãos com a [co-diretora] Daniela Thomas, que estava na ilha de edição junto com o Walter Salles e fazia uma versão provisória para me mandar –&nbsp; tem uma carreira internacional tão estrondosa. Por um lado, sei que o texto não apresentava enormes desafios e que a atuação da Fernanda Torres provavelmente se destacaria com as piores legendas do mundo; mas fico contente de ter feito parte da empreitada. Nesses dias visitei minha família nos Estados Unidos e comentei do filme com a minha irmã. “Oh, that’s the one everyone’s been talking about!”&nbsp;</em>[Ah, então é desse filme que tá todo mundo falando!]</p>



<p>Crédito da foto: Paula Scarpin</p>



<p>Texto por: Beatriz Vellozo</p>
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