19 Fev, 2018

6 dicas para garantir o sucesso de um evento com tradução simultânea

19 Fev, 2018

Passado o carnaval, o ano começa para valer: está aberta a temporada de congressos internacionais. Se você pretende organizar um deles – ou quem sabe um treinamento, workshop ou reunião com participação de estrangeiros –, as informações práticas a seguir vão ajudar a fazer tudo dar certo.

1ª dica: Se contratar os intérpretes, não se esqueça de contratar a cabine de tradução. Se contratar a cabine, não se esqueça de contratar os intérpretes

Esta primeira dica pode parecer óbvia, quase boba. Mas pergunte a qualquer intérprete e ele (ou ela) terá uma história para contar do dia em que chegou ao evento para fazer a tradução simultânea e… não havia cabine. Ou vai se lembrar de quando recebeu um telefonema desesperado, às oito da manhã, perguntando se poderia chegar a um evento que começaria às… 8h30 (“eu achei que a cabine já vinha com os intérpretes!”). Acredite: acontece mais do que você imagina. Por isso, caso seu evento precise de tradução simultânea, certifique-se sempre de ter contratado tanto os intérpretes quanto a cabine e o equipamento necessário.

2ª dica: Fuja da armadilha do portunhol

Este é mais um clássico dos eventos com participantes estrangeiros: mesmo diante da presença de palestrantes e ouvintes de língua espanhola, com frequência os organizadores decidem não contratar tradução. O resultado é uma confusa salada de português e espanhol, na qual raramente os participantes dominam os idiomas – e muitas vezes fingem dominar, constrangidos em admitir seu desconhecimento na frente dos colegas e até dos chefes. Nesse cenário, cada um faz o que pode, recorrendo a um portunhol meio sem pé nem cabeça; quase ninguém consegue se expressar com fluência, e todos perdem conteúdo precioso. Vale lembrar: não é porque a gente se vira num fim de semana de folga em Buenos Aires que vai ser capaz de acompanhar um dia inteiro de palestras em espanhol sobre medicina, engenharia ou TI. A presença de um intérprete profissional garante que a plateia realmente entenda o que está sendo dito por um palestrante colombiano, chileno ou mexicano, e deixa todos à vontade para fazer perguntas e participar, sem se preocupar com a barreira da língua.

3ª dica: Não deixe os convidados estrangeiros no escuro: eles também precisam de tradução

Organizadores de eventos internacionais costumam providenciar tradução simultânea para o português, na hora das palestras feitas em outro idioma. Isso é ótimo, porque os brasileiros da plateia conseguem entender todos os detalhes e nuances da fala do convidado internacional. Mas e os palestrantes estrangeiros? O que acontece quando eles saem de cena e tomam um lugar na plateia para assistir aos colegas brasileiros? Se não houver tradução para o inglês (ou para espanhol ou francês – não importa), esses convidados vão ficar a ver navios, alheios ao que está acontecendo. Além de ser indelicado, isso impede que o estrangeiro aprenda com os brasileiros, faça perguntas e participe de uma possível sessão de debate. Moral da história: sempre que os convidados internacionais quiserem acompanhar todo o evento, e não apenas dar sua palestra e ir embora, o ideal é oferecer tradução simultânea também para eles.

4ª dica: Não deixe os intérpretes no escuro: eles também precisam de informação

Embora os profissionais da tradução simultânea tenham profundos conhecimentos linguísticos e dominem um extenso vocabulário em mais de um idioma, é humanamente impossível conhecer todos os termos e palavras de todas as áreas do conhecimento humano, em mais de uma língua. Justamente por isso, os intérpretes passam horas estudando antes de cada evento. Leem sobre o assunto que vai ser tratado (nas duas línguas em que vão trabalhar), assistem a vídeos com outras palestras dos convidados, criam glossários e fazem uma extensa pesquisa. Num certo sentido, é como se preparar para uma prova bem difícil: na hora do “vamos ver”, a informação precisa estar na ponta da língua. Esse processo depende da parceria com quem contrata a tradução simultânea. É fundamental oferecer aos tradutores o máximo de subsídios, para que eles estejam prontos na hora do trabalho: agenda do evento, nome dos palestrantes, tema das palestras, apresentações em Power Point ou PDF, informações sobre a plateia (os ouvintes serão especializados ou leigos? Isso ajuda os intérpretes a escolher o tipo de linguagem que devem usar). Enfim: para que a orquestra toque com harmonia e afinação, os músicos precisam receber a partitura com antecedência.

5ª dica: Lembre-se da proporção dos ingredientes: para cada idioma estrangeiro do evento, você vai precisar de uma cabine e dois intérpretes

Muita gente, por simples desconhecimento do funcionamento da tradução simultânea, acha que basta colocar um intérprete de espanhol e outro de inglês na mesma cabine para que eles façam a tradução para as duas línguas. Por questões técnicas, não é assim que funciona. O receptor (aquele radinho que a plateia usa para ouvir a tradução simultânea) tem um canal para cada idioma estrangeiro. Ou seja: num evento com palestras em português, inglês e espanhol, será preciso sintonizar o canal que transmite a tradução de cada língua. O sinal de som enviado para cada canal sai de cabines diferentes, já que cada uma tem o próprio transmissor. Mas se você não estiver interessado nesse papo de receptor, canal, transmissor e ondas sonoras, basta lembrar deste conselho: se a única língua estrangeira do evento é inglês, você precisa de uma cabine e dois intérpretes de inglês; se houver inglês e espanhol, serão duas cabines e quatro intérpretes (uma dupla para cada idioma); se as línguas forem inglês, espanhol e alemão, três cabines e seis intérpretes… Deu pra entender, né?

No caso desta dica aqui, vale uma observação: em eventos com duração inferior a 1h30, um intérprete sozinho dá conta do recado. Mas precisa ser um intérprete para cada idioma estrangeiro, ok?

6ª dica: Mesmo que um funcionário da sua empresa fale inglês super bem, ele não é um intérprete profissional (e provavelmente tem mais o que fazer do que traduzir reuniões e calls)

Em muitas situações de reuniões, telefonemas e conversas entre pessoas de línguas diferentes, os conhecimentos de inglês aprendidos na escola podem bastar para que os envolvidos se entendam – e é claro que nem sempre é preciso contratar um intérprete. No entanto, quando o assunto é importante e não há margem para erros de comunicação; quando a duração da reunião é longa e o esforço para entender e falar outro idioma torna-se cansativo; quando os funcionários que falam inglês estão super ocupados e não podem interromper o trabalho para ajudar… é hora de chamar um intérprete. Muito além de dominar dois (ou mais) idiomas, esse profissional tem técnica e treinamento para fazer a tradução simultânea com agilidade e precisão, preservando o conteúdo e sem interrupções para “buscar” palavras na memória, pois elas já estão na ponta da língua. A presença do intérprete garante que pessoas de países diferentes conversem como se falassem um único idioma, e esse resultado dificilmente seria atingido por alguém que não tenha treinamento profissional – alguém que esteja ali apenas para “quebrar um galho”.

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