16 Mar, 2016

Os intérpretes e a literatura

16 Mar, 2016

Para o público em geral, o clichê mais conhecido do trabalho de um intérprete de conferências é a personagem de Nicole Kidman em A Intérprete. No filme, a atriz faz o papel de uma profissional que trabalha na ONU, interpretando entre o inglês e alguns dialetos africanos – e, por força de seu trabalho, acaba se envolvendo numa trama de suspense e intriga política.

As artes, porém, já produziram muitos outros personagens que exercem essa profissão – sobretudo a literatura. Um novo romance, escrito pelo italiano Diego Marani, faz mais um mergulho ficcional na interpretação de conferências. Em L’Interprete, ainda sem tradução para o português, Marani narra a história de um funcionário da ONU, em Genebra, cujas traduções começam a ficar inexplicavelmente ininteligíveis, sem semelhança com qualquer idioma conhecido. A partir daí se desenrola um enredo repleto de mistérios. Além de ser autor do livro, Marani integra o departamento de interpretação da União Europeia, em Bruxelas.

Confira abaixo outros títulos de ficção que têm intérpretes como protagonistas:

O Canto da Missão, de John le Carré: o escritor britânico é conhecido como mestre dos livros de espionagem. Neste romance, o protagonista – um intérprete versado em dialetos da região do Congo – se envolve numa trama intrincada ao ser escalado para fazer a tradução simultânea de um encontro secreto entre dois líderes africanos em pé de guerra.

Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa: em Paris, o reencontro entre um peruano que trabalha como intérprete na UNESCO e sua antiga paixão de juventude (a “menina má” do título) causa uma reviravolta na vida do personagem principal. Em 2010, quatro anos após a publicação deste romance, o também peruano Vargas Llosa ganhou o prêmio Nobel de Literatura.

Coração tão branco, de Javier Marías: por força do ofício, o intérprete e protagonista Juan está habituado a ouvir e reproduzir, em outro idioma, tudo o que escuta. Mas, ao ouvir sem querer uma história sobre sua família, ele começa a remexer num passado incômodo, que terá consequências sobre suas escolhas no presente.

The Interpreter, de Suki Kim (inédito no Brasil): Suzy Park é uma jovem americana de origem coreana, cujos pais morreram assassinados em circunstâncias jamais esclarecidas pela polícia. A personagem trabalha em diversos tribunais de Nova York, auxiliando na comunicação com imigrantes coreanos envolvidos em litígios. Numa dessas ocasiões, Suzy se vê interpretando o depoimento de um coreano que tem informações sobre o crime que matou seus pais.

The Interpreter, de Suzanne Glass (inédito no Brasil): trabalhando como intérprete de conferências em Nova York, a protagonista Dominique Green é considerada uma excelente profissional por colegas e clientes. Certo dia, durante um congresso de medicina, ela entreouve, por um microfone acidentalmente ligado, dois especialistas cochichando sobre uma descoberta revolucionária ligada ao tratamento da AIDS. A melhor amiga de Dominique é portadora do vírus HIV, e a intérprete se vê então diante de um dilema ético: manter sigilo sobre o que escutou, respeitando o código de confidencialidade da profissão, ou tentar ajudar a amiga a encontrar uma saída para a doença?

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