27 Out, 2015

Com a palavra, a intérprete Ângela Noronha

27 Out, 2015
Isolados na cabine, os intérpretes muitas vezes agem de forma semelhante aos músicos de jazz: esquecem do público por alguns instantes, quando parecem tocar apenas uns para os outros. Isso também acontece durante a tradução simultânea de uma conferência: concentrados, os intérpretes se permitem uma rápida e significativa troca de olhares, por exemplo, em sinal de apreço por uma palavra ou expressão bem escolhida pelo colega.
A intérprete Ângela Noronha já experimentou essa situação muitas vezes. Ela conta:
“Pensamos muito no público, é claro, mas também trabalhamos para o colega que está ao lado. Por ser um especialista no assunto, sua avaliação pode ser mais importante que a do público: é como se fosse um médico falando com outro médico. Certa vez, ao interpretar um palestrante brasileiro cujas ideias eu admirava, fiquei tão ansiosa, que me esforcei para contemplar em inglês cada detalhe de sua fala feita em português.
Acontece que nós, latinos, somos hiperbólicos: certos exageros da nossa fala não fazem o menor sentido para o ouvido anglo-saxão. Ao contrário de mim, quando a colega assumiu a tradução, optou por um discurso mais limpo, direto e sem excessos. O público talvez não tenha notado, mas eu sim. Com isso, aprendi a guardar uma certa distância da pessoa que estou interpretando, pois o envolvimento emocional pode prejudicar a tradução. No escuro da cabine, numa imperceptível troca de olhares com a colega, sinalizei ter entendido a lição.”
Leia mais sobre a formação e a experiência profissional de Ângela Noronha aqui: http://goo.gl/h0fgrU
«
»

Leave a comment:

O seu endereço de e-mail não será publicado.