27 Mai, 2015

Com a palavra, o intérprete Paulo Silveira

27 Mai, 2015

Um dos desafios do trabalho do intérprete é compreender o sotaque de oradores que não estão falando em sua língua nativa. Tradutor e intérprete experiente, Paulo Silveira costuma viajar pelo Brasil em missões de trabalho que podem durar semanas. Ele conta:

“Certa vez, durante uma série de visitas de auditoria a abatedouros, interpretei a conversa entre um inspetor grego e os funcionários de um estabelecimento. Tudo ia bem até que o inspetor perguntou quantos funcionários havia no SIF (Serviço de Inspeção Federal) – aquele do famoso selo de inspeção, obrigatório em produtos de origem animal. Muito usada, a sigla já foi incorporada ao vocabulário de estrangeiros que trabalham no setor. Por isso, não estranhei.

A resposta, no entanto, parecia não convencer o inspetor, que insistia na pergunta. O clima ficou tenso. Como é de praxe nessa situação, fiz uma pausa na interpretação e perguntei ao inspetor se ele se referia ao Serviço de Inspeção Federal. Diante da explicação, ficou claro que gregos não costumam pronunciar o som do ‘sh’. A palavra era ‘shift’ (turno). E o equívoco foi desfeito.

Situação semelhante aconteceu quando um palestrante francês, com um ótimo inglês, incluindo a pronúncia, disse algo que soava como ‘sample’ (amostra), mas queria dizer ‘simple’ (simples), que, pronunciado à francesa, soa como o ‘sample’ do inglês. Um único vestígio da pronúncia francesa em um inglês impecável. Desta vez fui socorrido pelo colega, que prontamente identificou a troca vocálica e me passou cola.”

Saiba mais sobre a formação e a experiência profissional de Paulo Silveira aqui: http://goo.gl/DLFmeX

 

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