16 Jun, 2014

A novela das coletivas da Espanha na Copa: o que deu errado?

16 Jun, 2014

A Copa do Mundo tem gerado muitas notícias sobre a nossa profissão, nem todas elas desejáveis. Na última semana, numa coletiva de imprensa com a seleção da Espanha, jornalistas e jogadores reclamaram do trabalho do profissional que fazia a tradução. Vários jornais publicaram que o intérprete não transmitiu a mensagem corretamente e errou termos essenciais. Esse episódio traz à tona a necessidade de que se conheça e entenda melhor o nosso trabalho.

 

Primeiro deve-se esclarecer que o profissional que auxiliou a seleção espanhola na coletiva de imprensa não era um intérprete, e sim um professor. Longe de pretender desqualificar o ofício do educador, o que queremos é ressaltar a importância de que esse tipo de trabalho, altamente especializado, seja realizado por profissionais preparados para essa atividade: intérpretes profissionais. Por quê? Bem, imaginem contratar um professor de mecânica para pilotar um carro de Fórmula I. Ele poderá ser um ótimo professor e conhecer muito bem o funcionamento do motor, sistemas de freio, combustível, mas para ser piloto precisará da habilidade para pilotar, resistência física e psicológica para agir em situações limite, terá que adquirir experiência para resolver todos os desafios que surgirão no dia da corrida. Da mesma forma, um piloto, apesar de conhecer a mecânica do carro, provavelmente se sairá melhor ao volante do que como professor, afinal, nem todos têm vocação, habilidade e didática para ensinar.

 

Também é importante que se conheça as diferentes modalidades de tradução simultânea: numa consecutiva, como a que aconteceu na coletiva de imprensa da Espanha, o intérprete primeiro ouve as palavras do orador e depois reproduz o conteúdo no idioma do ouvinte final. Jornalistas e espanhóis reclamaram que nem todas as frases foram traduzidas. Ora, numa tradução consecutiva o intérprete não traduzirá ao pé da letra cada uma das palavras ditas pelo orador, mas entenderá a mensagem e transmitirá o conteúdo correta e fidedignamente.

 

Alguns dias depois, numa outra coletiva em que, então, contrataram uma profissional, também houve problemas, nesse caso decorrentes da falta de um sistema de som adequado. A intérprete não conseguia escutar as perguntas dos jornalistas, pois o retorno do áudio estava voltado para eles, o que acabou prejudicando o trabalho.

 

Tudo isso para dizer que tradução simultânea não é um bico nem pode ser feita por qualquer um que saiba um idioma.  É uma profissão difícil, especializada e que, como todas as outras, requer certas condições para que aconteça com resultados satisfatórios:  o intérprete precisa conhecer ou ter estudado bem o assunto e a terminologia e o equipamento deve ser o adequado e estar em boas condições de funcionamento. Interferências e má qualidade do som podem comprometer o entendimento da mensagem e, consequentemente, o conteúdo que será traduzido.

 

Assim, quando precisar de tradução em sua reunião ou evento, esteja certo de que realmente será de grande ajuda, que seus convidados se sentirão lisonjeados pela cortesia e gratos pela possibilidade de entenderem o que está sendo dito.  Agora, informe-se bem sobre a modalidade que melhor atenderá a dinâmica do evento e contrate sempre intérpretes profissionais e um bom equipamento de tradução e sonorização.

 

A economia na contratação do profissional adequado para a tradução da coletiva de imprensa da  Espanha mostrou mais uma vez que o barato pode sair caro. E o furo ficou feio em plena véspera de Copa Mundo.  

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