31 Mar, 2014

As traduções gratuitas do melhor app do ano. Será o fim?

31 Mar, 2014

 

Ensino gratuito de idiomas para o mundo.  Esse é o slogan e a promessa do aplicativo mais vendido em 2013 para IPhone e IPad: o Duolingo, queridinho dos desenvolvedores da Apple, eleito app do ano, prêmio que arremessou seu número de usuários à casa dos 20 milhões.

Com metodologia (termo que soa anacrônico frente a tamanha modernidade – e ambição – da proposta) dinâmica, divertida e atraente,  o programa não perde tempo com  explicações de regras gramaticais nem força o pobre usuário a conjugar verbos, mas associa palavras a fotos, gravando estruturas e termos definitivamente na memória do mais resistente dos alunos de ensino de idiomas.

Em dia com as últimas tecnologias e tendências, o app, cujo site está disponível em 12 idiomas, pode ser acessado a partir das contas do Gmail ou Facebook, e tem o céu como limite quando o assunto é o ensino de línguas. Ao término de um “curso”, o “aluno” alcançaria o nível intermediário e se viraria muito bem, obrigado, em situações cotidianas, viagens etc. Nada mal para quem não precisaria sequer comprar um livro.

Interessado em aprender farsi? Sim, é possível nesta verdadeira plataforma colaborativa de ensino. Basta haver usuários proficientes  no idioma inscritos na incubadora do projeto.

Bem, o aplicativo é grátis e, até então, não deu início ao bombardeio publicitário que supostamente financiaria a proposta e engordaria as contas de seus idealizadores. De onde vem, então, o sustento de tão fabuloso projeto? Aí está a alma do negócio e a parte que nos toca. No Duolingo, os usuários trabalham felizes, sem qualquer remuneração. Como funciona? Tudo começa com pequenas e simples traduções: “Olá, qual o seu nome?”. “What are you doing?”, “Cómo te fue el viaje?”  Ao final de algumas lições, o programa pergunta se você gostaria de traduzir alguns textos do mundo real. Com a contribuição de usuários avançados, artigos são traduzidos com surpreendentemente precisão, o que, claro, vale dinheiro.

O Duolingo já tem contratos com a CNN e a BuzzFeed para tradução de textos do inglês para diversos outros idiomas, o que tem rendido centenas de milhares de dólares por ano a Luis Von Ahn, co-fundador do projeto, que afirma: “o mercado de tradução é enorme e movimenta mais de 30 milhões de dólares por ano.”

Eis aqui mais um exemplo da velocidade com que as novas ideias, ancoradas nas infinitas possibilidades das novas tecnologias, avançam sobre nossas realidades profissionais e bradam a premente necessidade de nos reinventarmos e estarmos em dia com o que o mundo oferece. Verdadeiras ondas gigantes, cabe a nós, tradutores e intérpretes, decidirmos se nos jogamos no abismo, lamentosos por uma profissão fadada a desaparecer, ou se – intrépidos – ousamos surfá-las. Agora é com você!

 

 

 

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