19 Ago, 2013

A crise e os neologismos

19 Ago, 2013

 

A crise e os neologismos

 

A crise na Europa vem gerando uma onda de neologismos que refletem o humor negro usado por muitos para enfrentar seus problemas cotidianos. A austeridade é tão presente que o termo ultrapassou fronteiras econômicas e fiscais: em Portugal, pode-se ouvir um marmanjo em tom jocoso perguntar à moçoila de mini-saia se está praticando a austeridade. Na Espanha, os mais em voga não são nem okupas nem etarras, mas os "Ni-Nis" (nem-nem) – jovens que não estudam nem trabalham.

Na Grécia, fala-se dos "neoptohi", ou novos-pobres – um trocadilho ironizando o termo "novos-ricos", em grego.

E também há nomes para designar tipos de protestos e manifestantes. Na Espanha, os manifestantes se descrevem como os "indignados". Manifestantes idosos são chamados de "yayoflautas", ou flautas velhas. "Marea blanca" (maré branca) é uma alusão às ondas de médicos e enfermeiros de avental que têm promovido protestos contra os cortes na saúde pública.

Na Grécia, frases surgidas da crise permeiam conversas em cafés, bares, escritórios e vagões de metrô, principalmente usos irônicos de expressões proferidas por políticos como uma declaração do então primeiro-ministro George Papandreaou, em 2009, dizendo que havia dinheiro – quando, claro, não havia. "Deixem comigo", disse um grego a seus amigos que festejavam seu aniversário numa taverna em Atenas, quando iam tirar as carteiras dos bolsos. "Há dinheiro, lembram?"

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2013/08/1321003-crise-na-europa-estimula-neologismos.shtml

 

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